Há duas semanas uma concessionária da Fiat no interior de São Paulo, iniciou uma ação de vendas com pátio com uma faixa: “SALDÃO DE USADOS SEM GARANTIA”. A pergunta é: até que ponto um concessionário pode fazer o que bem entende em detrimento da política de comunicação da marca?
Será que a Fiat, caso soubesse dessa “estratégia” de comunicação da concessionária estaria de acordo? Meu filho de 13 anos ao ler a faixa disse: “o que adianta comprar um carro nesse local se não tem garantia?”. Realmente não só a mim profissional de marketing e comunicação, mas a todas as pessoas de bom-senso é difícil acreditar que seja verdade o que nossos olhos veem.
Um anúncio desses chega às raias da imbecilidade e pode resvalar na credibilidade da marca representada pela concessionária, pois os consumidores, em sua maioria, podem não perceber que aquela é uma iniciativa autônoma que nada tem a ver com a marca. Assim, o episódio remete à reflexão, até que ponto os concessionários podem fazer o que lhes vem à cabeça sem uma prévia autorização das marcas que representam? Antes desse feirão sem garantia nunca imaginei que isso fosse necessário.
Podemos tirar várias conclusões deste episódio peculiar, pra dizer o mínimo. Há muita gente pensando que pode fazer coisas sem ajuda de profissionais. Uma simples faixa, exposta ao público pode macular todo um trabalho de comunicação construído há anos por pessoas que se dedicam e ganham a vida com as boas práticas do marketing e da comunicação.
A pergunta é: como solucionar esse problema sem tirar a liberdade do concessionário em decidir o que é melhor para o seu negócio? Como permitir que ele faça o que bem entende sem correr o risco de um absurdo desses? O tema está em discussão. Meu objetivo foi unicamente expor um fato lamentável do ponto de vista de um profissional de marketing.
Sérgio Luís Domingues é diretor da SLD Marketing & Comunicação.
consultor@sergiodomingues.com.br
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